Lost In Time
Ontem achei essas duas imagens mofando no meu HD... Queria publicá-las lado a lado há um tempão, mas sempre acabava ficando meio que fora do contexto, até que as mesmas foram esquecidas e jogadas de lado. Pois chegou a hora
Essa é justamente a parte da história da computação com a qual tenho uma forte ligação emocional, por assim dizer. Acontece que o Atari ST foi o primeiro computador com o qual tive contato. Lá no final da década de 80 do século passado o meu pai trouxe um da Alemanha, para usá-lo nos seus complexos cálculos científicos. E eu ficava brincando com alguns joguinhos, muitos dos quais existiam também em consoles de 16 bits, além de ficar me frustrando repetidamente no equivalente do Paint da época, pois achava que o computador iria fazer tudo ficar lindo e maravilhoso, e, bem, não era essa a verdade, ráááá!
Devo dizer que o computador em si era muuuuuuuuuito à frente do seu tempo. O seu sistema operacional, TOS (The Operating System), com a interface GEM (Graphical Environment Manager) faziam jus ao nome (super-criativo
), funcionando satisfatoriamente e apresentando recursos que só apareceram no Windows anos mais tarde. Já no plano do hardware, foi o primeiro computador pessoal a apresentar o MIDI. É através das portas MIDI que até 16 Ataris podiam ser juntados numa "rede" para jogar o MIDI Maze em deathmatch, eheheh!

Eu sei que parece TOSco, mas era impressionante numa TV de 20"!

Multiplayer de até 16 jogadores através das portas MIDI!
Se isso não parecer revolucionário o suficiente, é só lembrar que os pacotes mais fodásticos de geração de áudio e de imagens 3D da atualidade, Cubase e 3ds Max, tiveram as suas raízes no Atari ST. Até hoje o Fatboy Slim usa um Atari ST para compor, e existe uma legião de entusiastas mantendo o legado, reimplementando e mantendo o hardware e o software do Atari ST por conta própria.
Mas estou perdendo o foco. Lá em meados da década de 90, conheci um amigo do meu pai que tinha exatamente o mesmo modelo do computador, e trabalhava profissionalmente com a computação gráfica. Inclusive, fazia vinhetas 3D para a TV. Se não me falha a memória, o programa que ele usava era o fabuloso CAD-3D. Não, eu não sabia nem o que era um programa direito; mas a minha memória visual permitiu que eu reconhecesse o tal programa nos screenshots que a Internet preservou
Não teve outra: fiquei fissurado com a computação gráfica, achando que era fácil. Pedi para o meu pai me ensinar a fazer algo com o computador que fosse além de jogar joguinhos e brincar no Paint. Ele me ensinou as funções gráficas do BASIC, daí fiquei semanas tentando fazer o que hoje chamam de um desenho vetorial paramétrico de uma cara com um chapéu, huahauahua! Droga, como eu queria achar isso em algum disquete perdido por aí, para dar umas boas risadas. Acho que se eu fosse usar o LOGO, sairia melhor.
Mas o estrago já tinha sido feito. Depois, viajei para o Brasil e fiquei anos sem chegar perto de um computador. Quando vi o 486-DX, 50 MHz, 8 MB RAM, novamente do trabalho do meu pai, e me cansei de Doom, Duke Nukem 3D e R.O.T.T., fiquei novamente brincando com o QBasic, JavaScript, Assembly, Perl e C (sim, mais ou menos nessa ordem). Somente uma década depois aprendi a usar (porcamente) o SolidWorks, depois de inúmeros fiascos com os programas de cunho mais artístico. Porém jamais desistirei do meu ideal: fazer o computador se esforçar bem mais do que eu para produzir uma imagem
OK, OK, e o que o ZPC-GX31 da Cybernet tem a ver com essa digressão toda?! Absolutamente nada; apenas me fez lembrar do velho e bom Atari ST, que, apesar de 23 anos mais velho, ainda me surpreende tanto




janeiro 18th, 2010 - 14:33
É muito louco parar e ver a nossa trajetória, nesses pequenos detalhes né?
Muito legal o post!
janeiro 20th, 2010 - 11:10
Eheheh, então Rafa, fui fortemente induzido pelo seu último post (http://projetomutante.com.br/blog/2010/01/10/nenhum-apetite-pelo-caos/)